Paradigma da escassez e a greve dos caminhoneiros


Com a paralização dos caminhoneiros vimos diversas reações diferentes nas pessoas, mas uma ficou muito evidente, que foi o comportamento do medo ligado à escassez. Pessoas correndo para postos de combustível, correndo para supermercados fazendo estoques com medo da falta. Mas esse, não é um comportamento que aconteceu somente por causa da greve, esse é um comportamento enraizado em nossa cultura, que gera uma infinidade de problemas sociais. O que aconteceu nesse período foi uma pequena amostra do comportamento diário e coletivo.

Segundo Dulce Magalhães, no livro O Foco define a Sorte, esse estado de escassez, a crença de que não há para todos, gera três atitudes pessoais, da seguinte ordem:

1 – Se é escasso, então primeiro vou cuidar de mim e de minha família, e só depois, se houver tempo e condições, vou ajudar os outros. Essa atitude gera o egocentrismo ou egoísmo, em que a solidariedade passa a ser uma prática eventual, sem prioridade, compromisso ou responsabilidade.

2 – Se é escasso, então alguém vai ganhar e alguém vai perder, assim precisaremos competir para ver quem vai ganhar e quem vai perder. Essa atitude gera a competição. A competição exacerbada leva a um grande volume de “perdedores” ou excluídos.

3 – Se é escasso, um dia vai faltar e é preciso acumular hoje para não faltar amanhã. Essa atitude gera o acúmulo, que por sua vez gera o consumismo, que provoca ainda mais escassez e, assim uma desigualdade crescente.

Agindo com base no egoísmo, na competição e no acúmulo, criamos uma sociedade desigual, injusta e excludente, que leva a uma realidade violenta e insegura.

Porém, se sairmos da escassez e acreditarmos na abundância, acreditarmos que há para todos, desenvolveremos o paradigma da abundância.

Se há para todos, ao invés de pensar só em mim, vou pensar no nós, e assim posso contribuir com todos, dessa forma passamos do egoísmo para o altruísmo, e o centro da experiência passa a ser a solidariedade.

Se há para todos a competição é desnecessária, todos podem ganhar e assim, saímos da competição para cooperação, uma nova forma de convivência e de relacionamento, muito mais fraterna e de ajuda mútua.

Se há para todos, não é preciso acumular, e não há porque ter mais do que se necessita, com confiança de que não vai faltar. Essa atitude gera a partilha em que as potencialidade e dificuldades individuais são absorvidas pela comunidade, criando uma condição de maior igualdade de oportunidades.

Em maior ou menor escala, acabamos vendo também vários exemplos do paradigma da abundância acontecendo durante a greve. Caminhoneiros que distribuíram suas cargas de alimentos entre os que estavam parados, vizinhos que se ajudaram com algo que faltou, caronas que foram compartilhadas por quem tinha combustível, e muitos outros exemplos.

Com a paralização relembramos que podemos ser solidários, que podemos dividir, que podemos viver na abundância, basta sairmos do medo e confiarmos. E embora queiram nos fazer acreditar do contrário, tem sim para todos, vivemos num universo abundante, e sim, podemos aprender a desenvolver em nós a crença na abundância. Dulce Magalhães afirma: “Se os valores de base das pessoas forem o altruísmo, a cooperação e a partilha, essa será uma sociedade justa, inclusiva e próspera. Esse é o estado-base da paz.”



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